Acho que não aprendo nada com os livros. Apenas confirmo as minhas observações empíricas, através da visão do autor.
Leio de maneira seletiva. Presto mais atenção e compreendo melhor aquilo que já sei ou vivenciei. Concentro-me pouco nos pontos em que discordo ou que não entendo, sendo essa incompreensão causada, talvez, por minha falta de experiência. Leio, mas não consigo chegar à essência da mensagem, por mais que me esforce.
Se concordo com muita coisa, então a leitura é fácil e o livro é considerado “bom”. Caso contrário, o livro é “ruim” porque é complicado ou não fala coisa com coisa.
Deveria prestar mais atenção aos assuntos em que tenho dificuldade de entender, pois é aí que está o que preciso aprender. Porém não acredito que seja possível um aprendizado verdadeiro se não for construído por mim mesmo, através de experiências.
Portanto, a leitura só serve para esclarecer e organizar as idéias que já trago comigo.
quarta-feira, dezembro 21, 2005
domingo, novembro 27, 2005
Perda de tempo
Existe razão para lamentar o tempo “perdido”? O que é tempo perdido? Para mim, é o tempo em que absolutamente nada foi produzido: nem física, nem intelectualmente. Mas é possível que todo o tempo seja produtivo? Acho que não, mesmo considerando o repouso como produtivo (já que é necessário para a manutenção da capacidade de produzir). Logo, sempre perderemos tempo.
Então poderíamos desejar que o “tempo perdido” fosse o menor possível. Porém, temos controle sobre isso? Fazer algo contra a vontade é produtivo ou perdido? Acho que “ter vontade de fazer nada” é produtivo; enquanto que “não ter vontade alguma” é improdutivo.
Mas, será realmente desejável reduzir ao mínimo o “tempo perdido”? Para quê? Sabendo que o Sol engolirá a Terra daqui a alguns milhões de anos, nada é necessário. Toda a produção se extinguirá. A não ser que o homem encontre um jeito de escapar... Considerando que não viverei até lá, é condenável eu confessar que “não estou nem aí”? Os meus objetivos se reduzem ao tempo de minha vida. Sim, apenas procurar o prazer e evitar a dor, seja controlando os acontecimentos, seja controlando os pensamentos (interpretação dos fatos). Se tenho prazer em não fazer nada, então não é tempo perdido. Mas se sofro por estar muito inerte, serei forçado, por mim mesmo, a sair dessa situação. E assim sucessivamente.
Então poderíamos desejar que o “tempo perdido” fosse o menor possível. Porém, temos controle sobre isso? Fazer algo contra a vontade é produtivo ou perdido? Acho que “ter vontade de fazer nada” é produtivo; enquanto que “não ter vontade alguma” é improdutivo.
Mas, será realmente desejável reduzir ao mínimo o “tempo perdido”? Para quê? Sabendo que o Sol engolirá a Terra daqui a alguns milhões de anos, nada é necessário. Toda a produção se extinguirá. A não ser que o homem encontre um jeito de escapar... Considerando que não viverei até lá, é condenável eu confessar que “não estou nem aí”? Os meus objetivos se reduzem ao tempo de minha vida. Sim, apenas procurar o prazer e evitar a dor, seja controlando os acontecimentos, seja controlando os pensamentos (interpretação dos fatos). Se tenho prazer em não fazer nada, então não é tempo perdido. Mas se sofro por estar muito inerte, serei forçado, por mim mesmo, a sair dessa situação. E assim sucessivamente.
domingo, novembro 20, 2005
A televisão me deixou burro demais
Já tenho tanto! Mas estou insatisfeito porque quero mais. Essa minha vontade de ser um viajante aventureiro... Por que não me contento com pequenas viagens de férias? Por que não me satisfaço com a vida real?
Sou influenciado por “Me Leva, Brasil”, Zeca Camargo, Dani Monteiro, National Geographic... São apenas imagens... É a realidade maquiada, ou até manipulada, para se tornar mais interessante na TV. Sou apenas um produto da mesma estrutura que provoca aflição às meninas normais, fazendo-as acreditar que o corpo ideal é sempre mais magro, e que cabelo bom é cabelo liso...
Qual o mérito dos ídolos forjados pela mídia? Quantos casais estão insatisfeitos por não atingirem o ideal do amor romântico das novelas? Quando a TV elogia alguém, está indiretamente dizendo a todos os telespectadores: “sejam assim”. Os atuais jovens atores famosos já cresceram tendo como meta essa tal “celebridade”. Idealizaram e perseguiram... Alguns poucos conseguiram, enquanto a grande maioria continua na sua “vida medíocre”. No entanto, todas as pessoas têm a sua parcela de vida medíocre. Mas essa não é divulgada, fazendo parecer que não existe.
Atingir um ideal não é garantia de felicidade. “Chegar lá” é apenas o ponto de partida para uma nova empreitada. “Ter sucesso” ou não... faz pouca diferença, pois sempre estaremos insatisfeitos. A vida real é um grande marasmo salpicado de momentos especiais (que são especiais justamente por serem raros).
Sou influenciado por “Me Leva, Brasil”, Zeca Camargo, Dani Monteiro, National Geographic... São apenas imagens... É a realidade maquiada, ou até manipulada, para se tornar mais interessante na TV. Sou apenas um produto da mesma estrutura que provoca aflição às meninas normais, fazendo-as acreditar que o corpo ideal é sempre mais magro, e que cabelo bom é cabelo liso...
Qual o mérito dos ídolos forjados pela mídia? Quantos casais estão insatisfeitos por não atingirem o ideal do amor romântico das novelas? Quando a TV elogia alguém, está indiretamente dizendo a todos os telespectadores: “sejam assim”. Os atuais jovens atores famosos já cresceram tendo como meta essa tal “celebridade”. Idealizaram e perseguiram... Alguns poucos conseguiram, enquanto a grande maioria continua na sua “vida medíocre”. No entanto, todas as pessoas têm a sua parcela de vida medíocre. Mas essa não é divulgada, fazendo parecer que não existe.
Atingir um ideal não é garantia de felicidade. “Chegar lá” é apenas o ponto de partida para uma nova empreitada. “Ter sucesso” ou não... faz pouca diferença, pois sempre estaremos insatisfeitos. A vida real é um grande marasmo salpicado de momentos especiais (que são especiais justamente por serem raros).
domingo, novembro 13, 2005
Advogando em causa própria
“Sou”, simplesmente. Depois disso, minha racionalidade se encarrega de construir uma argumentação coerente e convincente para defender, justificar e comprovar a minha maneira de pensar e de agir. Há explicações para tudo. E tudo pode ser explicado da maneira que melhor me convier.
Por mais que me esforce, não consigo ser contrário a mim mesmo. Disso se encarregam os fatos e os sofrimentos. Só eles são imparciais.
Por mais que me esforce, não consigo ser contrário a mim mesmo. Disso se encarregam os fatos e os sofrimentos. Só eles são imparciais.
quarta-feira, outubro 12, 2005
Pequenos adultos
A TV adora entrevistar os “pequenos adultos”: crianças com elevado senso de responsabilidade social e ambiental, que falam frases de efeito, e são um exemplo de ética para todos nós, reforçando a fé num futuro melhor, graças ao potencial altruístico das novas gerações. “A inocência infantil é a esperança da humanidade”. Que besteira! Como se essas crianças, humanamente, não fossem se tornar adultos, exatamente como aconteceu conosco... Aliás, desde cedo elas já estão aprendendo a representar os papéis mais valorizados...
Vinho é bom?
Acho que não. Não tenho sensações realmente agradáveis quando o bebo. Ou será que não estou treinado para isso? Mas é preciso treinar para saber o que é bom? Afinal, o que é bom? Será que temos instintivamente noção do que seja bom? Ou o bom é determinado sócio-culturalmente? Para mim, quem aprecia vinhos o faz porque acha bonito se dizer “enófilo”. Talvez os gostos refinados sejam originados assim: um pequeno grupo poderoso define as características do que será considerado “bom”, e os demais indivíduos devem aceitar essas regras. Ter gosto refinado proporcionaria a sensação de fazer parte da oligarquia. Democrática e estatisticamente, deveríamos acreditar que “bom” é aquilo que a maioria aprecia. Mas a ideologia oligárquica prega o contrário: a cultura das massas é “inferior”.
terça-feira, setembro 06, 2005
As idéias são vírus
Hipótese
As idéias (ou pensamentos, ou vontades) são entidades autônomas semelhantes aos vírus. Ambos são incapazes de se reproduzir por seus próprios meios. Portanto precisam infectar um hospedeiro e utilizar os seus recursos para se multiplicar. Que seria das idéias, se não fossem nossa mente e nosso corpo para concretizá-las?
Infecção x Influências externas
Pessoas influenciam outras, e são por elas influenciadas também. Estamos expostos a todo tipo de idéia. Mas não somos susceptíveis a qualquer uma. Por isso, nem todos têm o mesmo pensamento. Alguns pensam “grande”, outros pensam “pequeno”, mas todos encontram na idéia fixa uma fonte de motivação e sentido para a vida.
As idéias sobrevivem à morte do hospedeiro. E podem continuar infectando. Eu, por exemplo, sou influenciado por pessoas fisicamente mortas: Machado de Assis, Nietzsche, Buda, Maquiavel etc.
Como se dá essa infecção? Por exemplo: vejo na TV uma reportagem sobre vencedores no esporte – Oscar, Guga, Senna, Bernardinho, Ronaldo, Pelé... – e imediatamente tenho vontade de vencer no esporte também. Ou seja, acabei de ser contaminado...
Disseminação x Vaidade e Persuasão
Nossas atitudes são a expressão das idéias, utilizando o nosso corpo como instrumento. A pessoa colonizada passa a ser um agente replicador de sua idéia. Os livros, as vaidades, os debates são mecanismos de disseminação das idéias, buscando infectar outras pessoas.
O prazer causado pela admiração pública está para a disseminação das idéias, assim como o prazer sexual está para a procriação do corpo. É um mero incentivo para que colaboremos com nossos “parasitas” na busca por seus objetivos.
Pessoas infectadas por idéias muito fortes têm maior probabilidade de serem bem-sucedidas naquilo que fazem. Geralmente exercem influência sobre um grande número indivíduos. Isso ocorre independentemente de o pensamento ser considerado “bom” ou “mau”. Esse mecanismo se manifesta nos líderes, nos ídolos, nos gurus, enfim, nos cidadãos notórios e exemplares. Tais personagens se diferenciam entre si somente pela idéia que os habita. A dedicação, a disciplina e o poder de persuasão são semelhantes. Se Hitler houvesse nascido na Índia, ele poderia ter sido um Gandhi.
Seleção natural x Conflitos internos
Geralmente somos infectados por mais de uma idéia. Cada uma busca sobreviver através da prevalência sobre as demais, pois para que uma vontade se concretize é necessária toda a energia de um homem. Daí decorrem nossos conflitos internos, que nada mais são do que expressões da disputa entre idéias por nossa força vital. Somos apenas uma peteca em suas mãos. Por isso, às vezes agimos como se tivéssemos mais de uma personalidade. Por isso, parecemos incoerentes. Acredito que não há nada a fazer, a não ser deixar os mecanismos de seleção natural atuarem. Com o tempo e a experiência, a idéia ou vontade mais forte prevalecerá, e então passará a dispor de toda a nossa energia para a sua realização. Essa é a razão de as pessoas maduras parecerem mais íntegras e coerentes, enquanto que os jovens parecem dispersos.
Sucessão ecológica x Amadurecimento pessoal
Somos habitados por várias vontades e, em cada fase da vida, nem sempre somos controlados pela mesma. Pode ser que em nós também existam espécies (de idéias) pioneiras, secundárias, algumas predominantes, outras parasitas, cuja distribuição populacional varia com o tempo, em direção a uma comunidade-clímax, que se mantém num equilíbrio dinâmico. Eu poderei ser diferente do que sou hoje, o que já é diferente do que fui no passado. Porém, cada fase é indispensável para a seguinte. É uma sucessão ecológica.
Talvez devêssemos encarar nossa personalidade em épocas diversas como se fossem pessoas também diferentes. Dessa forma, o arrependimento e o remorso seriam substituídos por algo como uma crítica a alguém de quem discordamos.
Sistema imunológico x Críticas
Qual o efeito prático que se espera quando criticamos alguém? Espera-se que o criticado mude? Talvez... e assim a idéia atingiria o objetivo de se disseminar. Ela teria logrado infectar mais um indivíduo. Porém acredito que a função maior da crítica seja a de reforçar as próprias idéias, desqualificando ou rebaixando alguém que, em verdade, é apenas diferente. Mesmo que a crítica não seja verbalizada, ela já ocorreu, reforçando a hipótese da auto-afirmação como objetivo. Mentalmente foi dito: “Eu não sou como Fulano e fico feliz por isso”.
Outra possibilidade é que, ao criticar, na realidade estamos apontando idéias indesejáveis que ainda nos habitam, ou que algum dia nos habitaram, mesmo que elas não existam no criticado.
Quando identificamos em nós um pensamento nocivo, indesejado ou, simplesmente, diferente, os pensamentos dominantes criam “anticorpos” (objeções) no intuito de eliminar a ameaça. Por isso só criticamos nos outros algo que existe ou existiu em nós. Só estamos preparados para nos defender daquilo que já nos atacou.
Pode acontecer de nos depararmos com alguma idéia pela qual ainda não fomos infectados. Portanto ela nos é incompreensível. Ainda não produzimos os seus anticorpos específicos. Assim, estaremos susceptíveis à sua infecção. Ou então, caso tenhamos idéias muito fortes, corremos o risco de fazer críticas injustas. Nossas idéias fortes tentam garantir a sua sobrevivência impedindo a entrada de possíveis concorrentes. No entanto, estaremos apenas denunciando algo que carregamos conosco, e não a idéia nova.
Linhas evolutivas
Existem linhas evolutivas de idéias, da mesma forma que nos vírus. À medida que nosso sistema imunológico desenvolve mecanismos de defesa, os vírus evoluem, voltando a provocar surtos periodicamente. A história da humanidade apresenta o mesmo processo com as idéias e seus surtos. As infecções modificam o nosso corpo... As idéias modificam a sociedade... E o nosso corpo modifica os vírus, e a sociedade modifica as idéias! Como pôde Sócrates ter as mesmas preocupações que homens de hoje, tão distantes no tempo?! Como posso estar sujeito à mesma tuberculose que matou tantos no século XIX?! Não são exatamente as mesmas idéias, nem os mesmos patógenos, todavia pertencem às mesmas cadeias evolutivas.
Parasitismo ou Mutualismo?
Mutualismo. Idéias e corpo interagem em benefício de ambos. Uma idéia sem um corpo não teria o instrumento para se realizar. Um corpo sem idéias não seria humano, mas um animal irracional, que busca apenas a sobrevivência e a perpetuação.
Apesar da colaboração mútua, os conflitos são freqüentes. Em algumas ocasiões o corpo prevalece, em outras, as idéias.
Estudamos tanto, somos tão esclarecidos... mas quantos resistem ao instinto procriatório do corpo? Quantos sonhos deixam de ser realizados por causa de filhos!!!
Por outro lado, freqüentemente arriscamos a integridade de nosso corpo em favor das idéias. Entre os humanos, nem sempre os melhores corpos prevalecem. Vejam o grande número de pessoas obesas, diabéticas, hipertensas, com câncer etc. que chegam à velhice e deixam descendentes. Pelo contrário, muitas vezes o corpo menos apto acaba sendo compensado por idéias vorazes, e sobressaindo aos demais.
Biodiversidade x Pluralidade de pensamento
Cada idéia tem como meta a sua sobrevivência e a sua prevalência sobre as demais. Algumas podem coexistir em harmonia, porém outras são antagônicas e, portanto, competem entre si. Como já foi dito, o ato de criticar é a manifestação de uma idéia que tenta desqualificar, enfraquecer e aniquilar uma concorrente. Da mesma forma, “elogiar” consiste numa tentativa de a idéia se fortalecer. Por isso nos sentimos incomodados vendo alguém agir de um modo de que discordamos, e então criticamos. Por isso exaltamos as qualidades de nossos semelhantes. Por isso existem as premiações. Por isso adoramos ídolos.
Por isso não seremos unanimidade: nunca agradaremos a todos. A diversidade de idéias (assim como a biodiversidade) é pré-requisito para a sua capacidade de adaptação ao meio e, conseqüentemente, à sua sobrevivência.
Eu já sou soropositivo
O meu ato de escrever é regido pelas idéias aqui registradas. Já estou infectado. Na competição com os demais pensamentos existentes em minha “comunidade individual”, estes têm levado vantagem. Eles agora preparam sua estratégia de disseminação, utilizando-se de meu corpo como instrumento. Provocam-me a vontade de escrever, atiçam a minha vaidade e o meu desejo por admiração e por reconhecimento, utilizam-se de minha fala para influenciar outras pessoas. O fato de eu ser egoísta, vaidoso e presunçoso, também faz parte dessa estratégia. Eu preciso me sentir autoconfiante para ser persuasivo ao expor meus pontos de vista. Assim, estarei contribuindo para a sobrevivência dos pensamentos que me infectaram. No entanto, nem todos os que me ouvirem serão influenciados, da mesma forma que nem todas as sementes germinam, e nem todas as infecções manifestam sintomas.
Tudo a que me dedico beneficia apenas as minhas idéias predominantes.
As idéias (ou pensamentos, ou vontades) são entidades autônomas semelhantes aos vírus. Ambos são incapazes de se reproduzir por seus próprios meios. Portanto precisam infectar um hospedeiro e utilizar os seus recursos para se multiplicar. Que seria das idéias, se não fossem nossa mente e nosso corpo para concretizá-las?
Infecção x Influências externas
Pessoas influenciam outras, e são por elas influenciadas também. Estamos expostos a todo tipo de idéia. Mas não somos susceptíveis a qualquer uma. Por isso, nem todos têm o mesmo pensamento. Alguns pensam “grande”, outros pensam “pequeno”, mas todos encontram na idéia fixa uma fonte de motivação e sentido para a vida.
As idéias sobrevivem à morte do hospedeiro. E podem continuar infectando. Eu, por exemplo, sou influenciado por pessoas fisicamente mortas: Machado de Assis, Nietzsche, Buda, Maquiavel etc.
Como se dá essa infecção? Por exemplo: vejo na TV uma reportagem sobre vencedores no esporte – Oscar, Guga, Senna, Bernardinho, Ronaldo, Pelé... – e imediatamente tenho vontade de vencer no esporte também. Ou seja, acabei de ser contaminado...
Disseminação x Vaidade e Persuasão
Nossas atitudes são a expressão das idéias, utilizando o nosso corpo como instrumento. A pessoa colonizada passa a ser um agente replicador de sua idéia. Os livros, as vaidades, os debates são mecanismos de disseminação das idéias, buscando infectar outras pessoas.
O prazer causado pela admiração pública está para a disseminação das idéias, assim como o prazer sexual está para a procriação do corpo. É um mero incentivo para que colaboremos com nossos “parasitas” na busca por seus objetivos.
Pessoas infectadas por idéias muito fortes têm maior probabilidade de serem bem-sucedidas naquilo que fazem. Geralmente exercem influência sobre um grande número indivíduos. Isso ocorre independentemente de o pensamento ser considerado “bom” ou “mau”. Esse mecanismo se manifesta nos líderes, nos ídolos, nos gurus, enfim, nos cidadãos notórios e exemplares. Tais personagens se diferenciam entre si somente pela idéia que os habita. A dedicação, a disciplina e o poder de persuasão são semelhantes. Se Hitler houvesse nascido na Índia, ele poderia ter sido um Gandhi.
Seleção natural x Conflitos internos
Geralmente somos infectados por mais de uma idéia. Cada uma busca sobreviver através da prevalência sobre as demais, pois para que uma vontade se concretize é necessária toda a energia de um homem. Daí decorrem nossos conflitos internos, que nada mais são do que expressões da disputa entre idéias por nossa força vital. Somos apenas uma peteca em suas mãos. Por isso, às vezes agimos como se tivéssemos mais de uma personalidade. Por isso, parecemos incoerentes. Acredito que não há nada a fazer, a não ser deixar os mecanismos de seleção natural atuarem. Com o tempo e a experiência, a idéia ou vontade mais forte prevalecerá, e então passará a dispor de toda a nossa energia para a sua realização. Essa é a razão de as pessoas maduras parecerem mais íntegras e coerentes, enquanto que os jovens parecem dispersos.
Sucessão ecológica x Amadurecimento pessoal
Somos habitados por várias vontades e, em cada fase da vida, nem sempre somos controlados pela mesma. Pode ser que em nós também existam espécies (de idéias) pioneiras, secundárias, algumas predominantes, outras parasitas, cuja distribuição populacional varia com o tempo, em direção a uma comunidade-clímax, que se mantém num equilíbrio dinâmico. Eu poderei ser diferente do que sou hoje, o que já é diferente do que fui no passado. Porém, cada fase é indispensável para a seguinte. É uma sucessão ecológica.
Talvez devêssemos encarar nossa personalidade em épocas diversas como se fossem pessoas também diferentes. Dessa forma, o arrependimento e o remorso seriam substituídos por algo como uma crítica a alguém de quem discordamos.
Sistema imunológico x Críticas
Qual o efeito prático que se espera quando criticamos alguém? Espera-se que o criticado mude? Talvez... e assim a idéia atingiria o objetivo de se disseminar. Ela teria logrado infectar mais um indivíduo. Porém acredito que a função maior da crítica seja a de reforçar as próprias idéias, desqualificando ou rebaixando alguém que, em verdade, é apenas diferente. Mesmo que a crítica não seja verbalizada, ela já ocorreu, reforçando a hipótese da auto-afirmação como objetivo. Mentalmente foi dito: “Eu não sou como Fulano e fico feliz por isso”.
Outra possibilidade é que, ao criticar, na realidade estamos apontando idéias indesejáveis que ainda nos habitam, ou que algum dia nos habitaram, mesmo que elas não existam no criticado.
Quando identificamos em nós um pensamento nocivo, indesejado ou, simplesmente, diferente, os pensamentos dominantes criam “anticorpos” (objeções) no intuito de eliminar a ameaça. Por isso só criticamos nos outros algo que existe ou existiu em nós. Só estamos preparados para nos defender daquilo que já nos atacou.
Pode acontecer de nos depararmos com alguma idéia pela qual ainda não fomos infectados. Portanto ela nos é incompreensível. Ainda não produzimos os seus anticorpos específicos. Assim, estaremos susceptíveis à sua infecção. Ou então, caso tenhamos idéias muito fortes, corremos o risco de fazer críticas injustas. Nossas idéias fortes tentam garantir a sua sobrevivência impedindo a entrada de possíveis concorrentes. No entanto, estaremos apenas denunciando algo que carregamos conosco, e não a idéia nova.
Linhas evolutivas
Existem linhas evolutivas de idéias, da mesma forma que nos vírus. À medida que nosso sistema imunológico desenvolve mecanismos de defesa, os vírus evoluem, voltando a provocar surtos periodicamente. A história da humanidade apresenta o mesmo processo com as idéias e seus surtos. As infecções modificam o nosso corpo... As idéias modificam a sociedade... E o nosso corpo modifica os vírus, e a sociedade modifica as idéias! Como pôde Sócrates ter as mesmas preocupações que homens de hoje, tão distantes no tempo?! Como posso estar sujeito à mesma tuberculose que matou tantos no século XIX?! Não são exatamente as mesmas idéias, nem os mesmos patógenos, todavia pertencem às mesmas cadeias evolutivas.
Parasitismo ou Mutualismo?
Mutualismo. Idéias e corpo interagem em benefício de ambos. Uma idéia sem um corpo não teria o instrumento para se realizar. Um corpo sem idéias não seria humano, mas um animal irracional, que busca apenas a sobrevivência e a perpetuação.
Apesar da colaboração mútua, os conflitos são freqüentes. Em algumas ocasiões o corpo prevalece, em outras, as idéias.
Estudamos tanto, somos tão esclarecidos... mas quantos resistem ao instinto procriatório do corpo? Quantos sonhos deixam de ser realizados por causa de filhos!!!
Por outro lado, freqüentemente arriscamos a integridade de nosso corpo em favor das idéias. Entre os humanos, nem sempre os melhores corpos prevalecem. Vejam o grande número de pessoas obesas, diabéticas, hipertensas, com câncer etc. que chegam à velhice e deixam descendentes. Pelo contrário, muitas vezes o corpo menos apto acaba sendo compensado por idéias vorazes, e sobressaindo aos demais.
Biodiversidade x Pluralidade de pensamento
Cada idéia tem como meta a sua sobrevivência e a sua prevalência sobre as demais. Algumas podem coexistir em harmonia, porém outras são antagônicas e, portanto, competem entre si. Como já foi dito, o ato de criticar é a manifestação de uma idéia que tenta desqualificar, enfraquecer e aniquilar uma concorrente. Da mesma forma, “elogiar” consiste numa tentativa de a idéia se fortalecer. Por isso nos sentimos incomodados vendo alguém agir de um modo de que discordamos, e então criticamos. Por isso exaltamos as qualidades de nossos semelhantes. Por isso existem as premiações. Por isso adoramos ídolos.
Por isso não seremos unanimidade: nunca agradaremos a todos. A diversidade de idéias (assim como a biodiversidade) é pré-requisito para a sua capacidade de adaptação ao meio e, conseqüentemente, à sua sobrevivência.
Eu já sou soropositivo
O meu ato de escrever é regido pelas idéias aqui registradas. Já estou infectado. Na competição com os demais pensamentos existentes em minha “comunidade individual”, estes têm levado vantagem. Eles agora preparam sua estratégia de disseminação, utilizando-se de meu corpo como instrumento. Provocam-me a vontade de escrever, atiçam a minha vaidade e o meu desejo por admiração e por reconhecimento, utilizam-se de minha fala para influenciar outras pessoas. O fato de eu ser egoísta, vaidoso e presunçoso, também faz parte dessa estratégia. Eu preciso me sentir autoconfiante para ser persuasivo ao expor meus pontos de vista. Assim, estarei contribuindo para a sobrevivência dos pensamentos que me infectaram. No entanto, nem todos os que me ouvirem serão influenciados, da mesma forma que nem todas as sementes germinam, e nem todas as infecções manifestam sintomas.
Tudo a que me dedico beneficia apenas as minhas idéias predominantes.
quinta-feira, agosto 04, 2005
Além-útero
Meus queridos embriões e fetos... Venho, através deste blog, trazer a resposta a uma questão filosófica que certamente os aflige: “Sim!!! Existe vida fora do útero!”
Sua morte (que significa o nosso nascimento) não é o fim! É apenas uma passagem. Nesse momento, vocês serão conduzidos em direção a uma luz existente no final de um túnel escuro.
Acredito que vocês já desconfiavam disso, devido às nossas várias formas de comunicação. Vocês devem ouvir sons e vozes, e sentir trepidações, variações de temperatura e do conteúdo que lhes chega através do cordão umbilical. É possível que até percebam as alterações de humor de suas mães. Porém, por causa da diferença entre nossos mundos, a maioria de nossos sinais não pode ser compreendida... apenas sentida.
E agora... o que farão com essa certeza? Isso mudará algo em sua rotina? Vocês acham que deveriam se preparar para uma “vida feliz pós-útero”? Que tipo de preparação seria eficaz para ter “mais sucesso” aqui fora? Talvez vocês pudessem aprender logo a ler, ou estudar um segundo idioma, ou praticar algum esporte...
Minha sugestão é: não façam nada. Concentrem-se apenas em formar o seu corpo. “Um corpo” é tudo o que necessitamos de vocês para iniciar a nossa jornada. De nada adiantaria nascer sabendo falar inglês, se não tiver concluído o dever de casa fundamental: “Oh... sorry! No brain... I knew I was forgetting something...”
Percebam que, para formar o seu corpo, vocês não precisam fazer nada além de deixar a natureza fluir. Não há escolhas. Não adianta querer conscientemente formar os rins no primeiro mês de gestação. Existe uma ordem natural implacável. Um feto de 15 semanas pode até saber que na 35ª semana estará concluindo a maturação dos pulmões... e só! Poderá apenas continuar se dedicando, querendo ou não, à sua tarefa atual.
No final de suas “vidas”, vocês serão o resultado da interação entre sua herança genética e as circunstâncias a que foram expostos. Se nascerem doentes ou com alguma deficiência, não poderão se considerar injustiçados, mesmo que carreguem consigo a combinação genética mais perfeita possível. Os genes não são obtidos por mérito (ou alguém se esforçou para tê-los?), mas por acaso. Esse mesmo acaso pode provocar complicações durante a gestação ou o parto, influenciando em sua formação. Os fatores externos não estão sujeitos ao “senso de justiça”, pois esta é uma concepção nossa. Vocês não são responsáveis pelas dádivas, nem pelas desgraças.
Acho que aqui fora não é muito diferente. Sinto que há algo além disso, mas não consigo explicar... apenas sinto. Percebo que estou evoluindo, e que há muito a evoluir ainda, mas sou incapaz de chegar às lições finais sem antes cumprir as etapas intermediárias. Por mais que eu me esforce e acredite que estou interferindo em algo, constato que apenas sigo o curso natural das coisas. Não fiz nada para merecer meus talentos, mas reclamo da vida quando me sinto “injustiçado” (se eu sou bom, não deveriam acontecer coisas ruins comigo...).
Agora espero que algum “espírito” escreva um blog sobre esse assunto, sob o seu ponto de vista. “Chico Xavier, manifeste-se!” Pois há muita gente se dedicando mais ao lado de lá do que ao de cá.
Sua morte (que significa o nosso nascimento) não é o fim! É apenas uma passagem. Nesse momento, vocês serão conduzidos em direção a uma luz existente no final de um túnel escuro.
Acredito que vocês já desconfiavam disso, devido às nossas várias formas de comunicação. Vocês devem ouvir sons e vozes, e sentir trepidações, variações de temperatura e do conteúdo que lhes chega através do cordão umbilical. É possível que até percebam as alterações de humor de suas mães. Porém, por causa da diferença entre nossos mundos, a maioria de nossos sinais não pode ser compreendida... apenas sentida.
E agora... o que farão com essa certeza? Isso mudará algo em sua rotina? Vocês acham que deveriam se preparar para uma “vida feliz pós-útero”? Que tipo de preparação seria eficaz para ter “mais sucesso” aqui fora? Talvez vocês pudessem aprender logo a ler, ou estudar um segundo idioma, ou praticar algum esporte...
Minha sugestão é: não façam nada. Concentrem-se apenas em formar o seu corpo. “Um corpo” é tudo o que necessitamos de vocês para iniciar a nossa jornada. De nada adiantaria nascer sabendo falar inglês, se não tiver concluído o dever de casa fundamental: “Oh... sorry! No brain... I knew I was forgetting something...”
Percebam que, para formar o seu corpo, vocês não precisam fazer nada além de deixar a natureza fluir. Não há escolhas. Não adianta querer conscientemente formar os rins no primeiro mês de gestação. Existe uma ordem natural implacável. Um feto de 15 semanas pode até saber que na 35ª semana estará concluindo a maturação dos pulmões... e só! Poderá apenas continuar se dedicando, querendo ou não, à sua tarefa atual.
No final de suas “vidas”, vocês serão o resultado da interação entre sua herança genética e as circunstâncias a que foram expostos. Se nascerem doentes ou com alguma deficiência, não poderão se considerar injustiçados, mesmo que carreguem consigo a combinação genética mais perfeita possível. Os genes não são obtidos por mérito (ou alguém se esforçou para tê-los?), mas por acaso. Esse mesmo acaso pode provocar complicações durante a gestação ou o parto, influenciando em sua formação. Os fatores externos não estão sujeitos ao “senso de justiça”, pois esta é uma concepção nossa. Vocês não são responsáveis pelas dádivas, nem pelas desgraças.
Acho que aqui fora não é muito diferente. Sinto que há algo além disso, mas não consigo explicar... apenas sinto. Percebo que estou evoluindo, e que há muito a evoluir ainda, mas sou incapaz de chegar às lições finais sem antes cumprir as etapas intermediárias. Por mais que eu me esforce e acredite que estou interferindo em algo, constato que apenas sigo o curso natural das coisas. Não fiz nada para merecer meus talentos, mas reclamo da vida quando me sinto “injustiçado” (se eu sou bom, não deveriam acontecer coisas ruins comigo...).
Agora espero que algum “espírito” escreva um blog sobre esse assunto, sob o seu ponto de vista. “Chico Xavier, manifeste-se!” Pois há muita gente se dedicando mais ao lado de lá do que ao de cá.
terça-feira, julho 26, 2005
Fadados à extinção
Quem é evoluído?
Nós, que tivemos uma boa educação?
Nós, que estudamos em colégios particulares, segregando-nos do resto da sociedade?
Nós, que temos filhos tardiamente e em menor quantidade, em prol de estabilidade profissional, financeira e emocional?
Nós, que por amor prolongamos a vida de indivíduos fracos, perpetuando câncer, diabetes, hipertensão etc.?
Nós, que andamos de carro, falamos ao celular, e trabalhamos na Internet?
Nós, que pagamos para ficar com o corpo em forma?
Nós, que temos o gosto refinado para as artes?
Os pobres sem instrução dominarão o mundo, a não ser que haja uma política autoritária de extermínio. Podem ser malsucedidos profissionalmente, porém biologicamente prevalecerão. Aliás, o sucesso profissional é um conceito inventado pela sociedade. Talvez sucesso “mesmo” seja apenas sobreviver e deixar descendentes.
Enquanto discutimos questões “altas e nobres e lúcidas”, eles estão procriando. Seus recém-nascidos não têm UTI neonatal, suas crianças crescem desnutridas, pisando em água de cocô, seus homens fazem trabalho braçal, suas mulheres têm um monte de filhos sem acompanhamento médico, seus idosos enfrentam filas do SUS e do INSS... Tudo isso sem diploma e sem dinheiro. Ou seja, quem sobrevive é FORTE!
Quem está mais preparado para enfrentar as mudanças climáticas e a escassez de alimentos: nós ou eles? Eu, por exemplo, fico gripado (e dengoso) com qualquer chuvinha, e prefiro beber água mineral, por medo de pegar cólera, lombriga, ameba etc.
Eles ficarão e nós morreremos. Enquanto isso não acontece, apegamo-nos ao consolo de nos autoproclamar “superiores”.
Ou seria o homem capaz de desmentir a atual teoria da evolução? Só através da matança coletiva dos miseráveis mesmo... E nem isso refutaria Darwin, apenas esclareceria que o caractere favorável são os recursos econômicos e o poder, e não a fecundidade.
Certamente, algum mecanismo de controle populacional terá de agir no futuro. Se a suposta “racionalidade” prevalecer, os poderosos promoverão um genocídio, matando ou esterilizando a plebe. Caso prevaleça o mecanismo “tradicional”, os “esclarecidos” se extinguirão pela falta de descendentes, os “miseráveis” continuarão procriando, e o controle populacional se dará pelas doenças e pela escassez de alimentos.
Eu sou egoísta e gosto de filosofar. Busco a felicidade, mesmo sabendo que ela pode não existir. Acredito no poder das vontades, mas aceito o que não controlo. Desejo profundamente ter sucesso nos meus planos (que considero autênticos), e por isso acabo encarando os possíveis filhos como obstáculos, como concorrentes. Embora minha maneira de viver me traga muito prazer, reconheço que, talvez, eu esteja fadado à extinção.
Nós, que tivemos uma boa educação?
Nós, que estudamos em colégios particulares, segregando-nos do resto da sociedade?
Nós, que temos filhos tardiamente e em menor quantidade, em prol de estabilidade profissional, financeira e emocional?
Nós, que por amor prolongamos a vida de indivíduos fracos, perpetuando câncer, diabetes, hipertensão etc.?
Nós, que andamos de carro, falamos ao celular, e trabalhamos na Internet?
Nós, que pagamos para ficar com o corpo em forma?
Nós, que temos o gosto refinado para as artes?
Os pobres sem instrução dominarão o mundo, a não ser que haja uma política autoritária de extermínio. Podem ser malsucedidos profissionalmente, porém biologicamente prevalecerão. Aliás, o sucesso profissional é um conceito inventado pela sociedade. Talvez sucesso “mesmo” seja apenas sobreviver e deixar descendentes.
Enquanto discutimos questões “altas e nobres e lúcidas”, eles estão procriando. Seus recém-nascidos não têm UTI neonatal, suas crianças crescem desnutridas, pisando em água de cocô, seus homens fazem trabalho braçal, suas mulheres têm um monte de filhos sem acompanhamento médico, seus idosos enfrentam filas do SUS e do INSS... Tudo isso sem diploma e sem dinheiro. Ou seja, quem sobrevive é FORTE!
Quem está mais preparado para enfrentar as mudanças climáticas e a escassez de alimentos: nós ou eles? Eu, por exemplo, fico gripado (e dengoso) com qualquer chuvinha, e prefiro beber água mineral, por medo de pegar cólera, lombriga, ameba etc.
Eles ficarão e nós morreremos. Enquanto isso não acontece, apegamo-nos ao consolo de nos autoproclamar “superiores”.
Ou seria o homem capaz de desmentir a atual teoria da evolução? Só através da matança coletiva dos miseráveis mesmo... E nem isso refutaria Darwin, apenas esclareceria que o caractere favorável são os recursos econômicos e o poder, e não a fecundidade.
Certamente, algum mecanismo de controle populacional terá de agir no futuro. Se a suposta “racionalidade” prevalecer, os poderosos promoverão um genocídio, matando ou esterilizando a plebe. Caso prevaleça o mecanismo “tradicional”, os “esclarecidos” se extinguirão pela falta de descendentes, os “miseráveis” continuarão procriando, e o controle populacional se dará pelas doenças e pela escassez de alimentos.
Eu sou egoísta e gosto de filosofar. Busco a felicidade, mesmo sabendo que ela pode não existir. Acredito no poder das vontades, mas aceito o que não controlo. Desejo profundamente ter sucesso nos meus planos (que considero autênticos), e por isso acabo encarando os possíveis filhos como obstáculos, como concorrentes. Embora minha maneira de viver me traga muito prazer, reconheço que, talvez, eu esteja fadado à extinção.
segunda-feira, julho 18, 2005
Transmissão de pensamento
Quantas vezes eu me flagrei pensando em alguém, e exatamente nesse momento essa pessoa me telefonou? Quantas vezes eu estava com uma música na cabeça, e outra pessoa me apareceu cantando justamente ela? Por que os computadores percebem quando estamos nervosos ou apressados, e travam logo nessa hora?
Acredito se tratar de um sentido presente, porém ainda não desenvolvido pela humanidade. Por se tratar de um sentido ainda não desenvolvido e, portanto, não adaptado aos nossos padrões lingüísticos, temos a sensação de algo sobrenatural, inexplicável. Inexplicável justamente porque ainda não enquadramos tal habilidade e suas conseqüências em nosso “mundo de palavras”, que é o instrumento utilizado para explicar as coisas. Historicamente, o homem tem atribuído a entes “sobrenaturais” a responsabilidade por tudo aquilo que ele não era, então, capaz de compreender racionalmente: estações do ano, eclipses, doenças, eletricidade, magnetismo, reações químicas, fogo etc..
Eu gostaria de ter mais embasamento científico para expor minha humilde hipótese, mas não tenho paciência, nem disposição, para estudar profundamente a neurociência e a física. De qualquer forma, lanço aqui minha idéia:
Se toda nossa atividade cerebral decorre de impulsos elétricos, então ela deve gerar também impulsos magnéticos (isso eu aprendi no 2º grau). Cada tipo de impulso cerebral deve provocar campos magnéticos diferenciados, conforme a emoção envolvida: medo, alegria, raiva, ansiedade etc.. O impulso magnético se propaga pelo espaço, o que permite a sua recepção, e eventual interpretação / decodificação por outras pessoas. A recepção e a interpretação são possíveis porque o campo magnético interfere nos impulsos elétricos do receptor e, conseqüentemente, no seu pensamento. Assim, estabelecer-se-ia a comunicação entre pessoas. E até mesmo com animais, ou com máquinas. Os campos magnéticos gerados por nosso cérebro devem afetar os circuitos eletrônicos de um computador, por exemplo (por isso que ele sempre trava quando estamos fazendo algo importante).
Esse tipo de comunicação talvez seja a razão por que geralmente nós nos aproximamos de pessoas parecidas conosco, mesmo antes de conhecê-las bem. Pessoas afins teriam padrões eletromagnéticos semelhantes, causando uma sensação de conforto e de empatia, o que facilitaria a compreensão mútua.
Não sei ao certo qual seria o alcance de nossos impulsos magnéticos. Entretanto, deve ser amplo, talvez quase infinito (preciso da colaboração de alguém com maiores conhecimentos de física).
Não acho necessário tentar desenvolver esse sentido a ponto de transmitirmos palavras e frases. A fala e a escrita têm sido decisivas para nossa evolução, mas na minha opinião não deveríamos nos apegar excessivamente a elas. A telepatia poderia nos ajudar a resgatar nossa afinidade instintiva, de espécie animal, para percebermos que somos, sim, todos iguais.
Acredito se tratar de um sentido presente, porém ainda não desenvolvido pela humanidade. Por se tratar de um sentido ainda não desenvolvido e, portanto, não adaptado aos nossos padrões lingüísticos, temos a sensação de algo sobrenatural, inexplicável. Inexplicável justamente porque ainda não enquadramos tal habilidade e suas conseqüências em nosso “mundo de palavras”, que é o instrumento utilizado para explicar as coisas. Historicamente, o homem tem atribuído a entes “sobrenaturais” a responsabilidade por tudo aquilo que ele não era, então, capaz de compreender racionalmente: estações do ano, eclipses, doenças, eletricidade, magnetismo, reações químicas, fogo etc..
Eu gostaria de ter mais embasamento científico para expor minha humilde hipótese, mas não tenho paciência, nem disposição, para estudar profundamente a neurociência e a física. De qualquer forma, lanço aqui minha idéia:
Se toda nossa atividade cerebral decorre de impulsos elétricos, então ela deve gerar também impulsos magnéticos (isso eu aprendi no 2º grau). Cada tipo de impulso cerebral deve provocar campos magnéticos diferenciados, conforme a emoção envolvida: medo, alegria, raiva, ansiedade etc.. O impulso magnético se propaga pelo espaço, o que permite a sua recepção, e eventual interpretação / decodificação por outras pessoas. A recepção e a interpretação são possíveis porque o campo magnético interfere nos impulsos elétricos do receptor e, conseqüentemente, no seu pensamento. Assim, estabelecer-se-ia a comunicação entre pessoas. E até mesmo com animais, ou com máquinas. Os campos magnéticos gerados por nosso cérebro devem afetar os circuitos eletrônicos de um computador, por exemplo (por isso que ele sempre trava quando estamos fazendo algo importante).
Esse tipo de comunicação talvez seja a razão por que geralmente nós nos aproximamos de pessoas parecidas conosco, mesmo antes de conhecê-las bem. Pessoas afins teriam padrões eletromagnéticos semelhantes, causando uma sensação de conforto e de empatia, o que facilitaria a compreensão mútua.
Não sei ao certo qual seria o alcance de nossos impulsos magnéticos. Entretanto, deve ser amplo, talvez quase infinito (preciso da colaboração de alguém com maiores conhecimentos de física).
Não acho necessário tentar desenvolver esse sentido a ponto de transmitirmos palavras e frases. A fala e a escrita têm sido decisivas para nossa evolução, mas na minha opinião não deveríamos nos apegar excessivamente a elas. A telepatia poderia nos ajudar a resgatar nossa afinidade instintiva, de espécie animal, para percebermos que somos, sim, todos iguais.
segunda-feira, julho 11, 2005
Coletânea de Conclusões da Humanidade
Quantas vezes tive de admitir que “meus pais tinham razão”... Quantas cabeçadas seriam poupadas se eu os tivesse ouvido antes...
Penso bastante, com a esperança de extrair alguma conclusão de minhas vivências e observações. Mas, além de mim e de meus pais, muita gente já o vem fazendo, e até escrevendo sobre isso. Inclusive me sinto um completo inútil quando descubro que “aquela minha grande verdade absoluta”, obtida às custas de muito sofrimento e reflexão, já vem sendo extensamente descrita por filósofos e outros angustiados desde o ano de quinhentos e tanto (pior ainda se tiver um “a.C.” depois do número...). Acredito que tais conclusões possam ser classificadas e catalogadas numa grande coletânea, e disponibilizadas através de um mecanismo parecido com o do Google.
Mas para quê saber de tudo isso? A humanidade melhoraria se as novas gerações tivessem acesso e aceitassem todo esse conhecimento acumulado? Acho que não... Aliás, duvido que sejamos capazes de aceitar passivamente esse tipo de informação. Elas só são assimiladas depois de validadas pela nossa própria experiência. Então falaremos para a geração seguinte: “Acreditem! Isso é verdade! Eu já testei e comprovei!”.
...E estaremos fazendo o mesmo que fizeram conosco.
Talvez o importante não sejam as conclusões a que chegamos, mas apenas a maneira como as obtemos.
Penso bastante, com a esperança de extrair alguma conclusão de minhas vivências e observações. Mas, além de mim e de meus pais, muita gente já o vem fazendo, e até escrevendo sobre isso. Inclusive me sinto um completo inútil quando descubro que “aquela minha grande verdade absoluta”, obtida às custas de muito sofrimento e reflexão, já vem sendo extensamente descrita por filósofos e outros angustiados desde o ano de quinhentos e tanto (pior ainda se tiver um “a.C.” depois do número...). Acredito que tais conclusões possam ser classificadas e catalogadas numa grande coletânea, e disponibilizadas através de um mecanismo parecido com o do Google.
Mas para quê saber de tudo isso? A humanidade melhoraria se as novas gerações tivessem acesso e aceitassem todo esse conhecimento acumulado? Acho que não... Aliás, duvido que sejamos capazes de aceitar passivamente esse tipo de informação. Elas só são assimiladas depois de validadas pela nossa própria experiência. Então falaremos para a geração seguinte: “Acreditem! Isso é verdade! Eu já testei e comprovei!”.
...E estaremos fazendo o mesmo que fizeram conosco.
Talvez o importante não sejam as conclusões a que chegamos, mas apenas a maneira como as obtemos.
segunda-feira, julho 04, 2005
Blog, para quê?
“Para que as pessoas possam me conhecer melhor”, foi o que pensei imediatamente.
Mas nem tudo o que escreverei aqui será verdadeiro... Aliás, tudo poderá até ser verdadeiro (ou autêntico, melhor dizendo), já que brotará de minha cabeça. De qualquer forma, este blog não refletirá exatamente o que sou. Claro que não! Se eu avalio e seleciono o que será escrito, supõe-se que algo existente poderá não ser divulgado! Logo, todo o conteúdo constituirá apenas uma imagem criada por mim. (Prova disso é que antes de lançar esse texto, ele foi lido e relido, escrito e reescrito, cuidadosamente).
Seria eu a pessoa mais indicada para falar sobre mim mesmo? Por um lado sim, pois só eu sei o que se passa comigo. Por outro, não, uma vez que, preocupado com opiniões externas, crio e alimento uma imagem a meu respeito.
Aquilo que não condiz com o meu ideal não é registrado... simplesmente passa e se perde. Por dedução (não por constatação) admito a possibilidade de uma outra hipótese, baseada também nessa idealização: “não penso tudo o que escrevo”. Será??? Lascou... E agora? (Se eu encontrar alguém que tenha essa mesma angústia, ficarei aliviado: “não serei o único!” Porém se muitas pessoas pensarem parecido, ficarei ainda mais angustiado: “impossível... não pode haver tantos...”).
Muitas vezes escrevo a esmo, e o ato de escrever e ler e reler e reescrever me ajuda a organizar as idéias. Mas para quê serve “organizar as idéias” se não for para dispô-las de uma forma compreensível a outras pessoas? Escolho o que será exposto e o que será omitido. Porém, além de iludir os leitores, acabo iludindo a mim mesmo. Não sou o que escrevo (isso é apenas uma parte de mim). Tenho idéias contínua, aleatória e involuntariamente. Elas não obedecem a quaisquer limites ou preceitos morais. Só depois é que eu determino racionalmente quem sobreviverá, classificando-as em “boas” ou “más”.
Para quê escreverei então? Para me conhecer ou para me exibir? Talvez só o desejo de imortalidade explique...
Enquanto isso, vou escrevendo... Talvez a prática me proporcione mais fluência.
Mas nem tudo o que escreverei aqui será verdadeiro... Aliás, tudo poderá até ser verdadeiro (ou autêntico, melhor dizendo), já que brotará de minha cabeça. De qualquer forma, este blog não refletirá exatamente o que sou. Claro que não! Se eu avalio e seleciono o que será escrito, supõe-se que algo existente poderá não ser divulgado! Logo, todo o conteúdo constituirá apenas uma imagem criada por mim. (Prova disso é que antes de lançar esse texto, ele foi lido e relido, escrito e reescrito, cuidadosamente).
Seria eu a pessoa mais indicada para falar sobre mim mesmo? Por um lado sim, pois só eu sei o que se passa comigo. Por outro, não, uma vez que, preocupado com opiniões externas, crio e alimento uma imagem a meu respeito.
Aquilo que não condiz com o meu ideal não é registrado... simplesmente passa e se perde. Por dedução (não por constatação) admito a possibilidade de uma outra hipótese, baseada também nessa idealização: “não penso tudo o que escrevo”. Será??? Lascou... E agora? (Se eu encontrar alguém que tenha essa mesma angústia, ficarei aliviado: “não serei o único!” Porém se muitas pessoas pensarem parecido, ficarei ainda mais angustiado: “impossível... não pode haver tantos...”).
Muitas vezes escrevo a esmo, e o ato de escrever e ler e reler e reescrever me ajuda a organizar as idéias. Mas para quê serve “organizar as idéias” se não for para dispô-las de uma forma compreensível a outras pessoas? Escolho o que será exposto e o que será omitido. Porém, além de iludir os leitores, acabo iludindo a mim mesmo. Não sou o que escrevo (isso é apenas uma parte de mim). Tenho idéias contínua, aleatória e involuntariamente. Elas não obedecem a quaisquer limites ou preceitos morais. Só depois é que eu determino racionalmente quem sobreviverá, classificando-as em “boas” ou “más”.
Para quê escreverei então? Para me conhecer ou para me exibir? Talvez só o desejo de imortalidade explique...
Enquanto isso, vou escrevendo... Talvez a prática me proporcione mais fluência.
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