quarta-feira, outubro 12, 2005
Pequenos adultos
A TV adora entrevistar os “pequenos adultos”: crianças com elevado senso de responsabilidade social e ambiental, que falam frases de efeito, e são um exemplo de ética para todos nós, reforçando a fé num futuro melhor, graças ao potencial altruístico das novas gerações. “A inocência infantil é a esperança da humanidade”. Que besteira! Como se essas crianças, humanamente, não fossem se tornar adultos, exatamente como aconteceu conosco... Aliás, desde cedo elas já estão aprendendo a representar os papéis mais valorizados...
Vinho é bom?
Acho que não. Não tenho sensações realmente agradáveis quando o bebo. Ou será que não estou treinado para isso? Mas é preciso treinar para saber o que é bom? Afinal, o que é bom? Será que temos instintivamente noção do que seja bom? Ou o bom é determinado sócio-culturalmente? Para mim, quem aprecia vinhos o faz porque acha bonito se dizer “enófilo”. Talvez os gostos refinados sejam originados assim: um pequeno grupo poderoso define as características do que será considerado “bom”, e os demais indivíduos devem aceitar essas regras. Ter gosto refinado proporcionaria a sensação de fazer parte da oligarquia. Democrática e estatisticamente, deveríamos acreditar que “bom” é aquilo que a maioria aprecia. Mas a ideologia oligárquica prega o contrário: a cultura das massas é “inferior”.
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