Quem é evoluído?
Nós, que tivemos uma boa educação?
Nós, que estudamos em colégios particulares, segregando-nos do resto da sociedade?
Nós, que temos filhos tardiamente e em menor quantidade, em prol de estabilidade profissional, financeira e emocional?
Nós, que por amor prolongamos a vida de indivíduos fracos, perpetuando câncer, diabetes, hipertensão etc.?
Nós, que andamos de carro, falamos ao celular, e trabalhamos na Internet?
Nós, que pagamos para ficar com o corpo em forma?
Nós, que temos o gosto refinado para as artes?
Os pobres sem instrução dominarão o mundo, a não ser que haja uma política autoritária de extermínio. Podem ser malsucedidos profissionalmente, porém biologicamente prevalecerão. Aliás, o sucesso profissional é um conceito inventado pela sociedade. Talvez sucesso “mesmo” seja apenas sobreviver e deixar descendentes.
Enquanto discutimos questões “altas e nobres e lúcidas”, eles estão procriando. Seus recém-nascidos não têm UTI neonatal, suas crianças crescem desnutridas, pisando em água de cocô, seus homens fazem trabalho braçal, suas mulheres têm um monte de filhos sem acompanhamento médico, seus idosos enfrentam filas do SUS e do INSS... Tudo isso sem diploma e sem dinheiro. Ou seja, quem sobrevive é FORTE!
Quem está mais preparado para enfrentar as mudanças climáticas e a escassez de alimentos: nós ou eles? Eu, por exemplo, fico gripado (e dengoso) com qualquer chuvinha, e prefiro beber água mineral, por medo de pegar cólera, lombriga, ameba etc.
Eles ficarão e nós morreremos. Enquanto isso não acontece, apegamo-nos ao consolo de nos autoproclamar “superiores”.
Ou seria o homem capaz de desmentir a atual teoria da evolução? Só através da matança coletiva dos miseráveis mesmo... E nem isso refutaria Darwin, apenas esclareceria que o caractere favorável são os recursos econômicos e o poder, e não a fecundidade.
Certamente, algum mecanismo de controle populacional terá de agir no futuro. Se a suposta “racionalidade” prevalecer, os poderosos promoverão um genocídio, matando ou esterilizando a plebe. Caso prevaleça o mecanismo “tradicional”, os “esclarecidos” se extinguirão pela falta de descendentes, os “miseráveis” continuarão procriando, e o controle populacional se dará pelas doenças e pela escassez de alimentos.
Eu sou egoísta e gosto de filosofar. Busco a felicidade, mesmo sabendo que ela pode não existir. Acredito no poder das vontades, mas aceito o que não controlo. Desejo profundamente ter sucesso nos meus planos (que considero autênticos), e por isso acabo encarando os possíveis filhos como obstáculos, como concorrentes. Embora minha maneira de viver me traga muito prazer, reconheço que, talvez, eu esteja fadado à extinção.
terça-feira, julho 26, 2005
segunda-feira, julho 18, 2005
Transmissão de pensamento
Quantas vezes eu me flagrei pensando em alguém, e exatamente nesse momento essa pessoa me telefonou? Quantas vezes eu estava com uma música na cabeça, e outra pessoa me apareceu cantando justamente ela? Por que os computadores percebem quando estamos nervosos ou apressados, e travam logo nessa hora?
Acredito se tratar de um sentido presente, porém ainda não desenvolvido pela humanidade. Por se tratar de um sentido ainda não desenvolvido e, portanto, não adaptado aos nossos padrões lingüísticos, temos a sensação de algo sobrenatural, inexplicável. Inexplicável justamente porque ainda não enquadramos tal habilidade e suas conseqüências em nosso “mundo de palavras”, que é o instrumento utilizado para explicar as coisas. Historicamente, o homem tem atribuído a entes “sobrenaturais” a responsabilidade por tudo aquilo que ele não era, então, capaz de compreender racionalmente: estações do ano, eclipses, doenças, eletricidade, magnetismo, reações químicas, fogo etc..
Eu gostaria de ter mais embasamento científico para expor minha humilde hipótese, mas não tenho paciência, nem disposição, para estudar profundamente a neurociência e a física. De qualquer forma, lanço aqui minha idéia:
Se toda nossa atividade cerebral decorre de impulsos elétricos, então ela deve gerar também impulsos magnéticos (isso eu aprendi no 2º grau). Cada tipo de impulso cerebral deve provocar campos magnéticos diferenciados, conforme a emoção envolvida: medo, alegria, raiva, ansiedade etc.. O impulso magnético se propaga pelo espaço, o que permite a sua recepção, e eventual interpretação / decodificação por outras pessoas. A recepção e a interpretação são possíveis porque o campo magnético interfere nos impulsos elétricos do receptor e, conseqüentemente, no seu pensamento. Assim, estabelecer-se-ia a comunicação entre pessoas. E até mesmo com animais, ou com máquinas. Os campos magnéticos gerados por nosso cérebro devem afetar os circuitos eletrônicos de um computador, por exemplo (por isso que ele sempre trava quando estamos fazendo algo importante).
Esse tipo de comunicação talvez seja a razão por que geralmente nós nos aproximamos de pessoas parecidas conosco, mesmo antes de conhecê-las bem. Pessoas afins teriam padrões eletromagnéticos semelhantes, causando uma sensação de conforto e de empatia, o que facilitaria a compreensão mútua.
Não sei ao certo qual seria o alcance de nossos impulsos magnéticos. Entretanto, deve ser amplo, talvez quase infinito (preciso da colaboração de alguém com maiores conhecimentos de física).
Não acho necessário tentar desenvolver esse sentido a ponto de transmitirmos palavras e frases. A fala e a escrita têm sido decisivas para nossa evolução, mas na minha opinião não deveríamos nos apegar excessivamente a elas. A telepatia poderia nos ajudar a resgatar nossa afinidade instintiva, de espécie animal, para percebermos que somos, sim, todos iguais.
Acredito se tratar de um sentido presente, porém ainda não desenvolvido pela humanidade. Por se tratar de um sentido ainda não desenvolvido e, portanto, não adaptado aos nossos padrões lingüísticos, temos a sensação de algo sobrenatural, inexplicável. Inexplicável justamente porque ainda não enquadramos tal habilidade e suas conseqüências em nosso “mundo de palavras”, que é o instrumento utilizado para explicar as coisas. Historicamente, o homem tem atribuído a entes “sobrenaturais” a responsabilidade por tudo aquilo que ele não era, então, capaz de compreender racionalmente: estações do ano, eclipses, doenças, eletricidade, magnetismo, reações químicas, fogo etc..
Eu gostaria de ter mais embasamento científico para expor minha humilde hipótese, mas não tenho paciência, nem disposição, para estudar profundamente a neurociência e a física. De qualquer forma, lanço aqui minha idéia:
Se toda nossa atividade cerebral decorre de impulsos elétricos, então ela deve gerar também impulsos magnéticos (isso eu aprendi no 2º grau). Cada tipo de impulso cerebral deve provocar campos magnéticos diferenciados, conforme a emoção envolvida: medo, alegria, raiva, ansiedade etc.. O impulso magnético se propaga pelo espaço, o que permite a sua recepção, e eventual interpretação / decodificação por outras pessoas. A recepção e a interpretação são possíveis porque o campo magnético interfere nos impulsos elétricos do receptor e, conseqüentemente, no seu pensamento. Assim, estabelecer-se-ia a comunicação entre pessoas. E até mesmo com animais, ou com máquinas. Os campos magnéticos gerados por nosso cérebro devem afetar os circuitos eletrônicos de um computador, por exemplo (por isso que ele sempre trava quando estamos fazendo algo importante).
Esse tipo de comunicação talvez seja a razão por que geralmente nós nos aproximamos de pessoas parecidas conosco, mesmo antes de conhecê-las bem. Pessoas afins teriam padrões eletromagnéticos semelhantes, causando uma sensação de conforto e de empatia, o que facilitaria a compreensão mútua.
Não sei ao certo qual seria o alcance de nossos impulsos magnéticos. Entretanto, deve ser amplo, talvez quase infinito (preciso da colaboração de alguém com maiores conhecimentos de física).
Não acho necessário tentar desenvolver esse sentido a ponto de transmitirmos palavras e frases. A fala e a escrita têm sido decisivas para nossa evolução, mas na minha opinião não deveríamos nos apegar excessivamente a elas. A telepatia poderia nos ajudar a resgatar nossa afinidade instintiva, de espécie animal, para percebermos que somos, sim, todos iguais.
segunda-feira, julho 11, 2005
Coletânea de Conclusões da Humanidade
Quantas vezes tive de admitir que “meus pais tinham razão”... Quantas cabeçadas seriam poupadas se eu os tivesse ouvido antes...
Penso bastante, com a esperança de extrair alguma conclusão de minhas vivências e observações. Mas, além de mim e de meus pais, muita gente já o vem fazendo, e até escrevendo sobre isso. Inclusive me sinto um completo inútil quando descubro que “aquela minha grande verdade absoluta”, obtida às custas de muito sofrimento e reflexão, já vem sendo extensamente descrita por filósofos e outros angustiados desde o ano de quinhentos e tanto (pior ainda se tiver um “a.C.” depois do número...). Acredito que tais conclusões possam ser classificadas e catalogadas numa grande coletânea, e disponibilizadas através de um mecanismo parecido com o do Google.
Mas para quê saber de tudo isso? A humanidade melhoraria se as novas gerações tivessem acesso e aceitassem todo esse conhecimento acumulado? Acho que não... Aliás, duvido que sejamos capazes de aceitar passivamente esse tipo de informação. Elas só são assimiladas depois de validadas pela nossa própria experiência. Então falaremos para a geração seguinte: “Acreditem! Isso é verdade! Eu já testei e comprovei!”.
...E estaremos fazendo o mesmo que fizeram conosco.
Talvez o importante não sejam as conclusões a que chegamos, mas apenas a maneira como as obtemos.
Penso bastante, com a esperança de extrair alguma conclusão de minhas vivências e observações. Mas, além de mim e de meus pais, muita gente já o vem fazendo, e até escrevendo sobre isso. Inclusive me sinto um completo inútil quando descubro que “aquela minha grande verdade absoluta”, obtida às custas de muito sofrimento e reflexão, já vem sendo extensamente descrita por filósofos e outros angustiados desde o ano de quinhentos e tanto (pior ainda se tiver um “a.C.” depois do número...). Acredito que tais conclusões possam ser classificadas e catalogadas numa grande coletânea, e disponibilizadas através de um mecanismo parecido com o do Google.
Mas para quê saber de tudo isso? A humanidade melhoraria se as novas gerações tivessem acesso e aceitassem todo esse conhecimento acumulado? Acho que não... Aliás, duvido que sejamos capazes de aceitar passivamente esse tipo de informação. Elas só são assimiladas depois de validadas pela nossa própria experiência. Então falaremos para a geração seguinte: “Acreditem! Isso é verdade! Eu já testei e comprovei!”.
...E estaremos fazendo o mesmo que fizeram conosco.
Talvez o importante não sejam as conclusões a que chegamos, mas apenas a maneira como as obtemos.
segunda-feira, julho 04, 2005
Blog, para quê?
“Para que as pessoas possam me conhecer melhor”, foi o que pensei imediatamente.
Mas nem tudo o que escreverei aqui será verdadeiro... Aliás, tudo poderá até ser verdadeiro (ou autêntico, melhor dizendo), já que brotará de minha cabeça. De qualquer forma, este blog não refletirá exatamente o que sou. Claro que não! Se eu avalio e seleciono o que será escrito, supõe-se que algo existente poderá não ser divulgado! Logo, todo o conteúdo constituirá apenas uma imagem criada por mim. (Prova disso é que antes de lançar esse texto, ele foi lido e relido, escrito e reescrito, cuidadosamente).
Seria eu a pessoa mais indicada para falar sobre mim mesmo? Por um lado sim, pois só eu sei o que se passa comigo. Por outro, não, uma vez que, preocupado com opiniões externas, crio e alimento uma imagem a meu respeito.
Aquilo que não condiz com o meu ideal não é registrado... simplesmente passa e se perde. Por dedução (não por constatação) admito a possibilidade de uma outra hipótese, baseada também nessa idealização: “não penso tudo o que escrevo”. Será??? Lascou... E agora? (Se eu encontrar alguém que tenha essa mesma angústia, ficarei aliviado: “não serei o único!” Porém se muitas pessoas pensarem parecido, ficarei ainda mais angustiado: “impossível... não pode haver tantos...”).
Muitas vezes escrevo a esmo, e o ato de escrever e ler e reler e reescrever me ajuda a organizar as idéias. Mas para quê serve “organizar as idéias” se não for para dispô-las de uma forma compreensível a outras pessoas? Escolho o que será exposto e o que será omitido. Porém, além de iludir os leitores, acabo iludindo a mim mesmo. Não sou o que escrevo (isso é apenas uma parte de mim). Tenho idéias contínua, aleatória e involuntariamente. Elas não obedecem a quaisquer limites ou preceitos morais. Só depois é que eu determino racionalmente quem sobreviverá, classificando-as em “boas” ou “más”.
Para quê escreverei então? Para me conhecer ou para me exibir? Talvez só o desejo de imortalidade explique...
Enquanto isso, vou escrevendo... Talvez a prática me proporcione mais fluência.
Mas nem tudo o que escreverei aqui será verdadeiro... Aliás, tudo poderá até ser verdadeiro (ou autêntico, melhor dizendo), já que brotará de minha cabeça. De qualquer forma, este blog não refletirá exatamente o que sou. Claro que não! Se eu avalio e seleciono o que será escrito, supõe-se que algo existente poderá não ser divulgado! Logo, todo o conteúdo constituirá apenas uma imagem criada por mim. (Prova disso é que antes de lançar esse texto, ele foi lido e relido, escrito e reescrito, cuidadosamente).
Seria eu a pessoa mais indicada para falar sobre mim mesmo? Por um lado sim, pois só eu sei o que se passa comigo. Por outro, não, uma vez que, preocupado com opiniões externas, crio e alimento uma imagem a meu respeito.
Aquilo que não condiz com o meu ideal não é registrado... simplesmente passa e se perde. Por dedução (não por constatação) admito a possibilidade de uma outra hipótese, baseada também nessa idealização: “não penso tudo o que escrevo”. Será??? Lascou... E agora? (Se eu encontrar alguém que tenha essa mesma angústia, ficarei aliviado: “não serei o único!” Porém se muitas pessoas pensarem parecido, ficarei ainda mais angustiado: “impossível... não pode haver tantos...”).
Muitas vezes escrevo a esmo, e o ato de escrever e ler e reler e reescrever me ajuda a organizar as idéias. Mas para quê serve “organizar as idéias” se não for para dispô-las de uma forma compreensível a outras pessoas? Escolho o que será exposto e o que será omitido. Porém, além de iludir os leitores, acabo iludindo a mim mesmo. Não sou o que escrevo (isso é apenas uma parte de mim). Tenho idéias contínua, aleatória e involuntariamente. Elas não obedecem a quaisquer limites ou preceitos morais. Só depois é que eu determino racionalmente quem sobreviverá, classificando-as em “boas” ou “más”.
Para quê escreverei então? Para me conhecer ou para me exibir? Talvez só o desejo de imortalidade explique...
Enquanto isso, vou escrevendo... Talvez a prática me proporcione mais fluência.
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