Meus queridos embriões e fetos... Venho, através deste blog, trazer a resposta a uma questão filosófica que certamente os aflige: “Sim!!! Existe vida fora do útero!”
Sua morte (que significa o nosso nascimento) não é o fim! É apenas uma passagem. Nesse momento, vocês serão conduzidos em direção a uma luz existente no final de um túnel escuro.
Acredito que vocês já desconfiavam disso, devido às nossas várias formas de comunicação. Vocês devem ouvir sons e vozes, e sentir trepidações, variações de temperatura e do conteúdo que lhes chega através do cordão umbilical. É possível que até percebam as alterações de humor de suas mães. Porém, por causa da diferença entre nossos mundos, a maioria de nossos sinais não pode ser compreendida... apenas sentida.
E agora... o que farão com essa certeza? Isso mudará algo em sua rotina? Vocês acham que deveriam se preparar para uma “vida feliz pós-útero”? Que tipo de preparação seria eficaz para ter “mais sucesso” aqui fora? Talvez vocês pudessem aprender logo a ler, ou estudar um segundo idioma, ou praticar algum esporte...
Minha sugestão é: não façam nada. Concentrem-se apenas em formar o seu corpo. “Um corpo” é tudo o que necessitamos de vocês para iniciar a nossa jornada. De nada adiantaria nascer sabendo falar inglês, se não tiver concluído o dever de casa fundamental: “Oh... sorry! No brain... I knew I was forgetting something...”
Percebam que, para formar o seu corpo, vocês não precisam fazer nada além de deixar a natureza fluir. Não há escolhas. Não adianta querer conscientemente formar os rins no primeiro mês de gestação. Existe uma ordem natural implacável. Um feto de 15 semanas pode até saber que na 35ª semana estará concluindo a maturação dos pulmões... e só! Poderá apenas continuar se dedicando, querendo ou não, à sua tarefa atual.
No final de suas “vidas”, vocês serão o resultado da interação entre sua herança genética e as circunstâncias a que foram expostos. Se nascerem doentes ou com alguma deficiência, não poderão se considerar injustiçados, mesmo que carreguem consigo a combinação genética mais perfeita possível. Os genes não são obtidos por mérito (ou alguém se esforçou para tê-los?), mas por acaso. Esse mesmo acaso pode provocar complicações durante a gestação ou o parto, influenciando em sua formação. Os fatores externos não estão sujeitos ao “senso de justiça”, pois esta é uma concepção nossa. Vocês não são responsáveis pelas dádivas, nem pelas desgraças.
Acho que aqui fora não é muito diferente. Sinto que há algo além disso, mas não consigo explicar... apenas sinto. Percebo que estou evoluindo, e que há muito a evoluir ainda, mas sou incapaz de chegar às lições finais sem antes cumprir as etapas intermediárias. Por mais que eu me esforce e acredite que estou interferindo em algo, constato que apenas sigo o curso natural das coisas. Não fiz nada para merecer meus talentos, mas reclamo da vida quando me sinto “injustiçado” (se eu sou bom, não deveriam acontecer coisas ruins comigo...).
Agora espero que algum “espírito” escreva um blog sobre esse assunto, sob o seu ponto de vista. “Chico Xavier, manifeste-se!” Pois há muita gente se dedicando mais ao lado de lá do que ao de cá.
quinta-feira, agosto 04, 2005
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