domingo, novembro 27, 2005

Perda de tempo

Existe razão para lamentar o tempo “perdido”? O que é tempo perdido? Para mim, é o tempo em que absolutamente nada foi produzido: nem física, nem intelectualmente. Mas é possível que todo o tempo seja produtivo? Acho que não, mesmo considerando o repouso como produtivo (já que é necessário para a manutenção da capacidade de produzir). Logo, sempre perderemos tempo.

Então poderíamos desejar que o “tempo perdido” fosse o menor possível. Porém, temos controle sobre isso? Fazer algo contra a vontade é produtivo ou perdido? Acho que “ter vontade de fazer nada” é produtivo; enquanto que “não ter vontade alguma” é improdutivo.

Mas, será realmente desejável reduzir ao mínimo o “tempo perdido”? Para quê? Sabendo que o Sol engolirá a Terra daqui a alguns milhões de anos, nada é necessário. Toda a produção se extinguirá. A não ser que o homem encontre um jeito de escapar... Considerando que não viverei até lá, é condenável eu confessar que “não estou nem aí”? Os meus objetivos se reduzem ao tempo de minha vida. Sim, apenas procurar o prazer e evitar a dor, seja controlando os acontecimentos, seja controlando os pensamentos (interpretação dos fatos). Se tenho prazer em não fazer nada, então não é tempo perdido. Mas se sofro por estar muito inerte, serei forçado, por mim mesmo, a sair dessa situação. E assim sucessivamente.

domingo, novembro 20, 2005

A televisão me deixou burro demais

Já tenho tanto! Mas estou insatisfeito porque quero mais. Essa minha vontade de ser um viajante aventureiro... Por que não me contento com pequenas viagens de férias? Por que não me satisfaço com a vida real?

Sou influenciado por “Me Leva, Brasil”, Zeca Camargo, Dani Monteiro, National Geographic... São apenas imagens... É a realidade maquiada, ou até manipulada, para se tornar mais interessante na TV. Sou apenas um produto da mesma estrutura que provoca aflição às meninas normais, fazendo-as acreditar que o corpo ideal é sempre mais magro, e que cabelo bom é cabelo liso...

Qual o mérito dos ídolos forjados pela mídia? Quantos casais estão insatisfeitos por não atingirem o ideal do amor romântico das novelas? Quando a TV elogia alguém, está indiretamente dizendo a todos os telespectadores: “sejam assim”. Os atuais jovens atores famosos já cresceram tendo como meta essa tal “celebridade”. Idealizaram e perseguiram... Alguns poucos conseguiram, enquanto a grande maioria continua na sua “vida medíocre”. No entanto, todas as pessoas têm a sua parcela de vida medíocre. Mas essa não é divulgada, fazendo parecer que não existe.

Atingir um ideal não é garantia de felicidade. “Chegar lá” é apenas o ponto de partida para uma nova empreitada. “Ter sucesso” ou não... faz pouca diferença, pois sempre estaremos insatisfeitos. A vida real é um grande marasmo salpicado de momentos especiais (que são especiais justamente por serem raros).

domingo, novembro 13, 2005

Advogando em causa própria

“Sou”, simplesmente. Depois disso, minha racionalidade se encarrega de construir uma argumentação coerente e convincente para defender, justificar e comprovar a minha maneira de pensar e de agir. Há explicações para tudo. E tudo pode ser explicado da maneira que melhor me convier.

Por mais que me esforce, não consigo ser contrário a mim mesmo. Disso se encarregam os fatos e os sofrimentos. Só eles são imparciais.