quarta-feira, agosto 16, 2006

O trabalho empobrece o homem

Segundo o Aurélio:

Trabalhar: Do latim vulgar tripaliare, ‘martirizar com o tripaliu’ (instrumento de tortura)

O trabalho é imprescindível para o nosso bem-estar. Seja porque precisamos de dinheiro, seja porque precisamos de algo enfadonho para aprender a dar o devido valor aos momentos de lazer. Trabalhar é chato, por isso adoro as férias. Um desempregado está sempre de folga, e não vê graça nenhuma nisso. Não desejo não ter o que fazer, mas sim ter o que fazer e poder não fazer nada.

Quem trabalha no que gosta, o faz com qualidade, e acaba ganhando mais dinheiro. Entretanto, trabalhar implica disciplina, assiduidade, pontualidade... enfim, rotina! E não há prazer que sobreviva à rotina.

A criatividade é afetada pela necessidade, metas, prazos... As melhores idéias surgem justamente quando não pensamos nelas. É preciso apenas estar atento.

Quero sentir o prazer de fazer o que gosto na hora em que tiver vontade. Quero ter paz de espírito e dinheiro para poder me dedicar a algo sem me preocupar com viabilidade econômica. Quero poder ficar um dia sem fazer nada (a não ser "comparecer à repartição") quando tiver preguiça.

Meu potencial? Será muito melhor aproveitado nas artes, na filosofia, na família, na culinária, na convivência social... Não penso mais em deixar uma "grande contribuição" para a humanidade. Sou estatisticamente insignificante (1 em 6,5 bilhões). É 130 vezes mais provável ganhar na mega-sena do que eu ser um indivíduo "iluminado". Sou importante apenas para as pessoas mais próximas, e a elas me dedicarei.

Para isso preciso de um emprego monótono, que me pague o suficiente para suprir minhas necessidades e desejos, que consuma o mínimo possível de meu precioso tempo, e que não me exija muito esforço, nem físico, nem intelectual.

Por isso não troco meu empreguinho público por nada... pelo menos até a próxima metamorfose...

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